A verdade é que nunca pensei muito a respeito do meu parto. Eu tinha medo, do desconhecido, do que as pessoas falavam, da dor do normal, e da anestesia de uma cesárea. Uma amiga havia me dito uma vez que "se entrou, de alguma forma vai sair, então não me preocupo mais com isso", e foi exatamente o que fiz. Não quis pesquisar sobre partos, nem ver vídeos de partos normais, porque eu só ouvia coisas cabeludas. Todas as pessoas que eu conhecia que já haviam engravidado, ou fizeram cesárea ou tiveram um parto normal por falta de condições financeiras e achavam que eu estava louca, já que poderia escolher. Eu tinha uma amiga que escolheu o parto normal, por medo da anestesia. Eu queria parto normal por ser melhor pro neném, pra mãe, pra recuperação e pro leite, entre tantas vantagens. Pronto, tava decidido, mas também não quis saber mais sobre o assunto. Eu confiava na médica (e ainda confio) que nós havíamos escolhido meses antes de engravidar, o que ela dissesse eu teria acatado, não sem relutância, mas provavelmente teria me vencido. Eu não teria conhecimento suficiente pra poder argumentar qualquer que fosse o assunto. Não a culpo, nem médico nenhum pelas escolhas que eles fazem por milhões de motivos, mas isso é um assunto pra outro post.
Eu sentia que ela não me dava todo o apoio que precisava para um parto normal, mas eu realmente não me preocupava com isso. E como já disse aqui no blog, no final de tudo, fiquei aliviada de ter sido escolhida pelo parto, e não escolhido. Claro, que seria possível ter um parto normal com a Melissa sentada, mas mesmo com o que sei hoje, eu não faria. Não tenho tanta coragem assim.
Eu cresci com a imagem que minha mãe fazia da minha avó. Eu também tinha essa imagem dela. Poucas vezes ouvi minha vó materna comentar sobre a vida dela, e nunca com alegria em relembrar, sempre havia um sofrimento no fundo, sempre me mostrando como foi difícil a vida dela, implícito nas suas expressões e no tom da sua voz. Minha vó teve 11 filhos, 9 deles na roça braba, sem luz elétrica nem água encanada. Todos com parteira. Na forma como as coisas eram contadas, minha vó sofreu pra caramba pra botar estes filhos no mundo. Uma das minhas tias nasceu com o cordão enrolado no pescoço, foi um parto super díficil, e ela nasceu roxinha, quase morreu (naquela epoca neh?). Reza a lenda que essa é a culpa pros seus problemas psicológicos (ela é meio desmiolada mesmo). Ouvia as histórias de como minha vó TINHA que "dormir" com meu avô e vivia reclamando, ô dificuldade. Numa dessas ficou grávida e não queria mais filhos, e rejeitava, pensou em dar este bebê quando nascesse, e por isso a baixa-estima do dito cujo. Com o passar dos anos, descobri abortos (pois é, no plural) entre tias, e ficava assustada com a capacidade do sexo em transformar pra pior as nossas vidas. Fora o que a gente aprendia na catequese. Até quando minha mãe dizia que minha irmã foi feita no susto, não era pra ter sido naquela hora, eu já imaginava mil coisas. (Por isso tenho muito medo das coisas que falo perto das meninas, porque elas fantasiam, imaginam e interpretam do jeito que elas conseguem compreender, afinal, isso não é bem assunto de criança, e isso é que vai formando a opinião delas sobre as coisas).
Cresci acreditando que o sexo deveria ser somente pra procriação, e como eu definitivamente não queria ter filhos, não queria todo esse sofrimento pra mim, se quisesse casar comigo ia viver na lei seca. Os sentimentos eram meio contraditórios pouco antes do meu casamento, mas faz parte :o)
Sabendo disso tudo, eu pergunto: vocês realmente acham que eu ia querer saber de parto, que dirá normal?
Mas ao mesmo tempo que via as coisas ruins, cresci subindo em pé de jabuticaba, cutucando a manga com um bambu pra poder comer a mais docinha. Cresci tomando banho de cachoeira, e deixando minha tia me tirar bicho de pé. Tomando mel com limão pra sarar gripe e pisando em bosta de vaca. Cresci numa casa pequena, mas que tinha um quintal que era pura horta da minha mãe, que pegava a couve fresquinha pra hora do almoço. Tocando as galinhas pra poder pegar os ovinhos que as vezes estavam quentes de choca. Aprendi a ler nas letrinhas que minha tia desenhava na casca da laranja. E nas férias eu nem sabia o que era televisão. Gosto do natural. Não gosto de remédios. Não gosto de nada que atrapalha o processo natural do meu corpo de agir. Não tomo nem anticoncepcional.
Hoje vejo que é tudo uma questão de cultura. Infelizmente, pro bem (leia-se bolso) da minoria, as pessoas não acreditam no natural. Nem no parto, nem alimentação, nem nada. Simplesmente porque parece um pouco mais complicado. Não estão acostumadas mais. A tecnologia, e a velocidade com que as coisas são feitas e a facilidade com que chegam as nossas mãos (assim como são manipuladas, tanto a informação quanto a alimentação), tornam nossa vida mais simples. Talvez não saudável, mas beeeem mais simples. E é lógico que precisamos acreditar que essa é a melhor forma. O saudável hoje nos parece loucura. Quem só come orgânicos é fresco, quem quer parto natural é louco. E pra minha tristeza, o que antes era normal e natural, hoje é caro, é diferente, é esquisito, chega a ser burrice. Não quero impor minhas idéias e opinião, nem acho que as coisas deveriam ser exatamente como eram antigamente mas sei que nem todo mundo tem acesso as informações corretas e necessárias para fazerem suas escolhas, quaisquer que sejam elas.
E agora, quando penso no meu segundo parto hoje, só consigo pensar que, talvez não tivesse sido natural, custa caro aqui nas minhas bandas, mas provavelmente teria sido tudo diferente, humanizado eu diria!
MALDITA FALTA DE CONHECIMENTO!
O primeiro você lê aqui.
MALDITA FALTA DE CONHECIMENTO!
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3 comentários:
To adorando os postssobre parto!!!
Eu concordo que quem faz parto normal nao é melhor que quem faz cesária...mas aí sua cunhada vir falar q quem faz parto normal nao é grandes coisas pq os bichos fazem a mesma coisa....queria ver ela fazendo isso já q acha q é tao simplese imbecil...(pronto, falei tb!!detesto comentarios q tentam colocar pra baixo pessoas q tentam fazer o melhor q podem dentro do proprio conhecimento,ela tá pior do q as pessoas naturebas fanaticas!)
Eu acho q vc é uma super mae sim, e acho lindo vc estar descobrindo esse mundo da humanizaçao...q faz parte sim da vida da criança,mas claro q nao vai traumatizar ng...nao é pecado querer o melhor desde a epoca q nossos filhos estao pra nascer...
De qq maneira nao se sinta diminuida por ter feito uma cesa....o q importa é daqui pra frente!e o conhecimento q vc está adquirindo agora!
Só vi seu comentário agora Lia. E sim eu sou a esposa do Mathew e sou ativista pro parto natural humanizado. Acredito q o parto natural realmente não seja pra qq pessoa, como foi pra mim. De maneira nenhuma acredito q o parto normal faz uma mãe melhor q a outra. E acredito sim no que vc falou das mães serem mais cuidadosas,mas isso é uma generalização....pois existem mtas mulheres q não tem acesso a informaçao bem dada e optam por fazer a cesário por medo da dor, ou pq acham q vai destruir a vagina delas. E sinceramente? é contra isso q eu luto. Contra a falta de informação....eu sou a favor da mulher saber o q é melhor pra ela e pro bebe dela...pra mulher ter uma boa experiencia no parto como eu tive nos meus e principalmente no meu ultimo q foi humanizado aqui no Brasil....eu AMEI! Trabalhei com pessoas maravilhosas e q fizeram minha experiencia maravilhosa, isso acontece no SUS? nao...eu não sou iludida...E sou tb contra o parto normal do SUS q é mais um show de horror do q qq outra coisa....pra mim parto normal só se for humanizado(principalmente no Brasil)...tudo bem acabar em cesária,mtas vezes emergencias acontecem,mas eu acredito q no PARTO (e nao em um ataque cardiaco ou apendicite) a melhor coisa é deixar a natureza agir....e sim usar de recursos da tecnologia se a mãe escolher isso e precisar...o q eu não gosto é os médicos tomando o parto na mão deles e "roubando"essa experiencia das maes pelo fato de terem uma baita agenda pra tomar conta....e no final ainda acham q salvam o mundo. Pq eu acredito q o parto é da mulher e o médico esta lá pra auxiliar em caso de emergencia,mas acredito sim q isso é uma experiencia q empodera a mulher e a ensina MTO....(novamente no PARTO e nao em qq outro procedimento).
O fato de vc ter querido fazer a Camila se sentir bem é louvável...realmente é terrivel ela se sentir uma má mãe por nao ter feito um parto normal num lugar onde a cesária é vista como unica alternativa...ela inclusive me inspira como mae!
A maneira q vc colocou o seu comentário qq outra mae como eu que acredito num parto humanizado, se sentiria ofendida pelo q vc falou...vc generalizou e ofendeu qq um q quisesse ler o seu comentário....tudo bem q não foi essa a sua intençao ME ofender,mas acaba ofendendo qq um neh? Encerro o assunto aqui, só estou apontando isso pra q entenda o pq de eu ter me defendido,pra q vc não faça isso na sua profissao, pois mtas pessoas q vc vai trabalhar como pediatra (acredito q vc saiba disso já) vao levar a sua palavra com lei, e vai ser a unica coisa q eles vao acreditar ou ouvir a respeito de certos assuntos. E vc ter uma opiniao tao forte e tao ofensiva em relaçao a algo q pode trazer mto bem a mae e bebe pode fechar a porta pra uma descoberta que a mae talvez esteja tentando fazer....já reparou q é natural a mulher querer parto normal e se sentir fracassada se nao consegue?imagina vc falar q é uma coisa tao banal e de repente a pessoa nao consegue ter um parto assim e se sente pior do q os animais...afinal...pq é tao banal e ela nao conseguiu???entende meu lado?
De qq maneira, eu entendo que vc não quis direcionar o comentário a mim...mas como eu fiz sim parto normal e me sinto mto vitoriosa e orgulhosa de MIM mesma por ter feito isso (e nao me comparo ou sinto melhor q ng), me senti mto chateada por uma opiniao tao forte e degradante a respeito de algo q fez parte de mim! Espero q entenda meu lado tb...
E nao sei se falei o suficiente,mas eu tb acho q a Camila nao tem nada que se sentir mal por ter tido uma cesária,espero q vc nunca tenha se sentido assim por minha causa Camila, eu te admiro mto e gosto mto de vc...vc é uma EXCELENTE mae....
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